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	<description>MIRADAS ALÉM DA MIRAGEM</description>
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		<title>miradouro</title>
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		<title>&#8220;Não foi nada&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 03 May 2011 00:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[- O que foi, cara? Já é a segunda vez na semana que eu tento falar disso contigo e você não quer. - Não foi nada, não. Deixa pra lá – devolveu, olhando perdidamente pela janela do carro enquanto a chuva molhava os vidros. Nem ele sabia por que não queria falar daquilo, que não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2885&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">- O que foi, cara? Já é a segunda vez na semana que eu tento falar disso contigo e você não quer.<br />
- Não foi nada, não. Deixa pra lá – devolveu, olhando perdidamente pela janela do carro enquanto a chuva molhava os vidros.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem ele sabia por que não queria falar daquilo, que não era homem de assuntos proibidos. Seria a estafa mental que o aturdia novamente? As semanas a fio em que acordava pesado, precisando descansar mais e mais apesar de dormidas as horas regulamentares de sono? Seria o exílio que lhe haviam imposto? A luta de classes, o inconformismo com as injustiças de sempre? Alma velha da porra, pensou. Pra quê tanto cansaço, meu Deus?, perguntara o seu corpo, ainda que seu coração não dissesse nada. Mundo, mundo, vasto mundo, quem dera ele se chamasse Raimundo, mas não. Chamava-se Carlos, mas Carlos não rimava com porra nenhuma. E delirava. Delirava com o dia em que chegaria para o chefe e diria: “Faz um favor? Não precisa ser agora, mas quando você tiver um tempinho&#8230;”. Opressores e oprimidos. Tem remédio, doutor? “Não, meu filho. Não há medicina para o vazio da alma”. Vez em quando sonhava acordado por poucos instantes. Era que a tortura de existir lhe dava uma pequena trégua para que pudesse se transportar para um lugar melhor, apenas para que agüentasse o tranco de ser torturado novamente. Viver cada vez lhe doía mais.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não leva a mal, mas eu não tô a fim de falar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2885/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2885&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Para ser Fidel a Guevara</title>
		<link>http://miradouro.wordpress.com/2011/04/27/para-ser-fidel-a-guevara/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 03:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[para Fernando Paixão e o &#8220;Fogo dos rios&#8221; Para ser Fidel a Guevara não se esqueça de Fidel. Para ser Fidel a Fidel não se esqueça de Guevara. Martírio não é exclusividade dos mártires e só quem está muito vivo pode se dar ao luxo de estar morto; só quem está muito vivo pode se dar ao trabalho de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2877&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>para Fernando Paixão e o &#8220;Fogo dos rios&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;">Para ser Fidel a Guevara não se esqueça de Fidel.<br />
Para ser Fidel a Fidel não se esqueça de Guevara.</p>
<p style="text-align:justify;">Martírio não é exclusividade dos mártires e só quem está muito vivo pode se dar ao luxo de estar morto; só quem está muito vivo pode se dar ao trabalho de seguir vivo.</p>
<p style="text-align:justify;">É um erro ter que escolher entre o herói morto – e que morreu na sua luta e vive a inspirar a de outros – e o homem que carrega nas costas a fatura simbólica de um projeto.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo porque não podemos nos esquecer do Che que há em Fidel.<br />
Tudo porque não podemos nos esquecer do Fidel que há em Che.<br />
Tudo porque não devemos nos esquecer do Che que sobreviverá após Fidel.<br />
Tudo porque não devemos nos esquecer do Fidel que sobrevive após Che.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns falariam <a href="http://miradouro.wordpress.com/2009/07/29/ter-duas-vidas-e-melhor-do-que-ter-uma-so/" target="_blank">de Eros e Tânatos, de pulsão de vida e de morte</a>; muitos cindiriam o mundo entre utopia e realidade, entre covardia e coragem; poucos remontariam à  fixação e ao movimento, às areias heraclitianamente movediças e aos categóricos verbos de Parmênides.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém, ninguém poderá nega(cea)r um fato: Cuba existe.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2877/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2877&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rodrigo</media:title>
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		<item>
		<title>Os doces</title>
		<link>http://miradouro.wordpress.com/2011/04/26/os-doces/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 13:45:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[“Na caixa tem alguns docinhos de Schmidt” A frase deixou Luís atônito por dois ou três instantes. Nem a leu até o fim. Desde que chegara em São Paulo, há coisa de sete ou oito meses (abril de 55), não havia mais comido aqueles coloridos e sólidos doces de que gostava tanto. Adorava. Numa ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2870&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>“Na caixa tem alguns docinhos de Schmidt” </em></p>
<p style="text-align:justify;">A frase deixou Luís atônito por dois ou três instantes. Nem a leu até o fim. Desde que chegara em São Paulo, há coisa de sete ou oito meses (abril de 55), não havia mais comido aqueles coloridos e sólidos doces de que gostava tanto. Adorava. Numa ou noutra madrugada, ou às vezes na solidão da lida na firma (trabalhava em uma fábrica de maçanetas), se pegava pensando em como seria bom poder pegar às dentadas um doce de abóbora ou um <em>figuinho</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Luís caminhou e sentou-se na cama. Pousou a carta e pegou a caixa. Branca, de papelão, pareceu-lhe um pouquinho pesadinha, o que lhe causou certo <em>frisson </em>de expectativa em relação à quantidade. Começou os procedimentos de abertura (um laço de barbante a amarrava, além de um selo a atar a tampa), mas parou. Resolveu concluir a leitura da carta. Nenhuma das duas ou três notícias posteriores, nem os conselhos e bons votos da irmã, o tocaram mais que a tomada de consciência da existência dos doces.</p>
<p style="text-align:justify;">Agradeceu muito aos céus por estar sozinho enquanto atirou-se ao desatar do laço, com admirável objetividade. Rompeu o laço deslizando o dedinho pelo vão entre a tampa e a estrutura inferior da caixa. Um sopro de sincera felicidade tomou-lhe o coração quando viu que estavam todos lá. Sua irmã ficaria muito feliz se pudesse ver o sorriso que Luís abriu naquele momento.</p>
<p style="text-align:justify;">O leitor será aqui poupado da descrição das intensas batalhas psicológicas que deram-se entre o instinto hedonista e o rigoroso, quase religioso senso de prudência naqueles minutos que se seguiram. O saldo foi de três mortos (um de abóbora, um de abacaxi e um de laranja), sem feridos. Luís dormiu e sonhou com bondes nessa noite, embora não se lembrasse disso ao acordar.</p>
<p style="text-align:justify;">O início da manhã do sábado foi elétrico como só algumas manhãs de sábado podem ser. Era dia de piquenique na represa com a turma do Normal, o que demandava um certo <em>tour de force</em> logístico para quem, como ele, morava no Brás. Cabe apenas dizer que mais um dos de abóbora (estavam infernalmente rubros; deliciantes) foi saboreado. A preciosa caixa foi suavemente deslizada para debaixo da cama.</p>
<p style="text-align:justify;">Lá no piquenique houve sol, risos, música e alguns beijos.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensara no figuinho desde a Anchieta, no começo da volta, à noitinha. A bem da verdade, pensara no figuinho desde que lera a frase na carta. Foi justamente por amar tanto os figuinhos, serem os seus <em>favoritos</em>, que ele simplesmente os beliscara com os olhos quando do primeiro exame do conteúdo da caixa. Na manhã que vitimou o segundo de abóbora, o pudor com que olhou para os figuinhos já continha uma zombaria galante. <em>“Não te quero. Nem gosto de figuinhos&#8230;”</em>, como se dissesse.</p>
<p style="text-align:justify;">Verdadeiro horror o tomou quando Luís abriu a caixa, finalmente, para sua noite de núpcias gastronômica. Havia formigas por tudo. Pareceu-lhe que todas as formigas do mundo estavam ali. Coração em palpitações, atirou a caixa na parede. Não gritou.</p>
<p style="text-align:justify;">Desde aquele dia, sempre aniquilou todas as formigas que pôde. Pisando, jogando água, chutando terra por cima. Uma luta particular que lhe acompanharia pela vida inteira. Não se rouba figuinhos de alguém assim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2870/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2870&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bebês, caçambas e a nossa miserável condição</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 04:03:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[De repente ela saiu da delegacia algemada, assustada e arredia. Em um instante passou em minha cabeça toda aquela história de jornalistas e abutres. Coloco o gravador na boca dela e pergunto por que ela abandonou o bebê? Embora tudo indique que ela seja mesmo a mãe da criança e a tenha colocado em uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2867&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">De repente ela saiu da delegacia algemada, assustada e arredia. Em um instante passou em minha cabeça toda aquela história de jornalistas e abutres. Coloco o gravador na boca dela e pergunto por que ela abandonou o bebê? Embora tudo indique que ela seja mesmo a mãe da criança e a tenha colocado em uma caçamba, eu tenho certeza disso? Então, nesse caso, devo perguntar SE ela abandonou o bebê? Provavelmente não teria tempo para uma segunda pergunta: seriam apenas alguns passos a mais até o camburão. Estarei constrangendo-a com minha pergunta incerta e incômoda? Humilhando-a? E, por outro lado, não tem ela o direito de se manifestar? De dar a sua versão? Perguntei e ela se manteve calada. Puseram-na no porta-malas do camburão e&#8230; bam! Fecharam a porta, e meu coração começou a disparar. Uns segundos antes que a viatura partisse um cinegrafista ainda filmava a mulher com a câmera colada no vidro. Abutreria grau mil. O carro foi embora e um silêncio tomou conta do lugar. Torço pra que alguém tivesse pensado o que eu pensei. Que condições de vida terão feito aquela mulher abandonar um bebê em uma caçamba? Acaso não estamos, mais do que diante de um ato de crueldade, encarando um drama social? Chega de moralismos medioclassistas – “nem os animais fazem uma coisa dessas”, “por que não deixou na porta de um hospital?” -, de vilanizações, mocinhos e bandidos, telenovelas da vida real. Por que não buscar compreender antes de julgar, por mais terríveis que sejam os fatos? Por que não destapar os olhos e enxergar que essa mulher é, como todos somos, produtos sociais? Ninguém tem sete filhos, sendo quatro menores de idade, impunemente. Quantos serão os pais de seus filhos? De que forma a terão tratado ao longo da vida? Quem serão seus pais? Que educação terá tido? Que estrutura tem essa mulher pra realizar trabalhos em uma casa de repouso, trabalho que exige certo preparo emocional? Que terá feito ela se deitar com um vigia 19 anos mais velho do que ela e feito um filho quase aos 40 anos? A que grandes dilemas poderá ter se imposto uma mulher cujos estudos não chegaram ao fim do primário? O que passará na cabeça de uma mulher com três filhos pequenos e apenas 600 reais mensais para sustentá-los quando chegam os sinais de uma gravidez? (O que você, que me lê, faz com 600 reais em um mês?) E quando o pai menospreza o fato? Lembrei de Vidas Secas quando o delegado disse que ela só soube informar o primeiro nome do pai da criança: não sabia o sobrenome dele e nem a idade. Terão as condições sociais deixado essa mulher em um estado próximo da animalização? Em caso afirmativo, de quem é a culpa? Em caso afirmativo, quais mesmo foram as mãos que depositaram aquele bebezinho na caçamba?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2867/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2867/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2867&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma beleza triste</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Apr 2011 23:24:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[Disseram ao ouro que ele tinha uma beleza tácita, mas ele não se convencia de si mesmo. - Acordei prateado hoje. Disseram ao ouro que ele era o raro entre os raros, disseram que sua beleza triste era circunstancial. - Prefiro continuar prateado amanhã. Disseram ao ouro que aquilo não era tristeza, era a lua [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2862&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Disseram ao ouro que ele tinha uma beleza tácita, mas ele não se convencia de si mesmo.</p>
<p><em>- Acordei prateado hoje.</em></p>
<p>Disseram ao ouro que ele era o raro entre os raros, disseram que sua beleza triste era circunstancial.</p>
<p><em>- Prefiro continuar prateado amanhã.</em></p>
<p>Disseram ao ouro que aquilo não era tristeza, era a lua confundindo-nos sobre o seu amarelo.</p>
<p><em>- Prefiro ser prateado para sempre.</em></p>
<p>Disseram ao ouro que a lua haveria de se arrogar o direito de ser <em>o amanhã</em> amanhã também.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2862/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2862/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2862&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Existires, como cristais</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Apr 2011 05:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[Que fosse apenas a sua voz rouca a sussurrar em meu ouvido durante um par de noites frias depois de longos dias de vendavais e tormentas: “vai ficar tudo bem, baby”. E ficaria. Quando tudo não passasse dessa minha necessidade de que você se deite ao meu lado e me abrace para afugentar fantasmas e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2858&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Que fosse apenas a sua voz rouca a sussurrar em meu ouvido durante um par de noites frias depois de longos dias de vendavais e tormentas: “vai ficar tudo bem, baby”. E ficaria. Quando tudo não passasse dessa minha necessidade de que você se deite ao meu lado e me abrace para afugentar fantasmas e conseguir me fazer pegar no sono. Você segura com força as duas pontas da corda bamba da minha frágil existência e me impede de cair. Porque há existires – como estezinho que você torna possível &#8211; que são como cristais. E para além de não saber viver sem o seu amor, eu não sou nada sem a sua compaixão. Eu sei que por trás dos sorrisos ternos que tentam vencer meus olhares tristonhos você vem ruminando condolências. E só sei, apesar dos esforços tamanhos que você faz para que eu não perceba essa quase comiseração, porque sinto você com todas as minhas parcas forças. Eu te idolatraria ainda um pouquinho mais, não fosse esse último fiapo de lucidez que me separa da loucura. Porque não é normal que seja assim, mas eu não consigo diferente. Nem quero. Porque seria preciso estabelecer as fronteiras de estar aqui, cada um em si mesmo. E com isso eu não posso. Minha vida já não me pertence, apenas. Você sabe.</p>
<p style="text-align:justify;">O meu amor e um pedido de perdão.</p>
<p style="text-align:right;">Emma.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2858/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2858&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Lombadas</title>
		<link>http://miradouro.wordpress.com/2011/04/13/lombadas/</link>
		<comments>http://miradouro.wordpress.com/2011/04/13/lombadas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 15:38:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fora colocado de castigo. Em sua escola não havia milho para ser desperdiçado; se a maioria, ali, passava fome, sentido não haveria de fazerem pipoca nos joelhos da criançada às custas dessa ou daquela traquinagem.  O pátio central já não era mais usado como “cárcere”. Afinal, era aberto demais e cheio de passarinhos e distrações, e as professoras não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2855&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Fora colocado de castigo.</p>
<p style="text-align:justify;">Em sua escola não havia milho para ser desperdiçado; se a maioria, ali, passava fome, sentido não haveria de fazerem pipoca nos joelhos da criançada às custas dessa ou daquela traquinagem.  O pátio central já não era mais usado como <em>“cárcere”</em>. Afinal, era aberto demais e cheio de passarinhos e distrações, e as professoras não poderiam premiar os infratores com aquela gazeta que chamava a atenção dos ilibados: <em>“eu também quero ir de castigo”.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Foi assim que aquela biblioteca – e as de tantas outras escolas – foi escolhida como a masmorra.</p>
<p style="text-align:justify;">Nada que justificativas psicopedagógicas de araque não possam eufemizar, mas não é preciso gastar saliva pra dizer que não foi na condição de algemados que se forjaram os espíritos dos amantes da literatura. Portanto, o fato em questão não passa de um <em>fait diver</em>, <em>&#8220;uma exceção que confirma a regra&#8221;,</em> como diria o <em>seu</em> Waldemar, o professor de educação física.</p>
<p style="text-align:justify;">Fora colocado de castigo.</p>
<p style="text-align:justify;">Era um cubículo. Sem janelas, a luz que entrava vinha de uma clarabóia que timidamente rasgava o teto. As estantes ocupavam totalmente as quatro paredes. No meio de uma delas, quase não se percebia a porta de madeira escura que dava acesso ao ambiente. Sobre a mesa, nenhum objeto, nada &#8212;  a  não ser uns riscos feitos sabe-se lá por qual contravenção:<em> “R e R”</em>, envoltos por um coração canhestro.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de meia hora de tédio, sem iniciativas maiores do que um cutucar de narinas, ele reparou, enfim, nas lombadas dos livros. Sentiu-se obrigado a circular pela sala, não por interesse, nem audácia, mas por uma profunda e inespecífica inquietação. Com sua baixa estatura, não conseguia ler as prateleiras superiores, limitou-se a um passear de olhos pela prateleira de baixo.  Meneava a cabeça, pois reparou que – sem padrão &#8211; uns títulos subiam e outros desciam naqueles couros gravados com pó dourado.</p>
<p style="text-align:justify;">Na terceira volta completa na sala, sempre no sentido horário, começou a se divertir. Primeiro tentando ler em voz alta o que conseguia, ao acelerar o passo. Depois, mais vagarosamente, começou a fazer conversar aqueles livros, Manoel, João, FRRyysskrr, José, Cecília. <em>&#8220;Bom dia, dona Cecília, o senhor José já saiu&#8221;</em>. E quando a brincadeira com os nomes parecia se esgotar, passou a compor mentalmente, sempre em sentido horário, como que sugado por um ralo: <em>“A rosa do povo foi mordida, do Outro lado do Paraíso, pelo São Bernardo no dia Primeiro de Maio, n’O Capital da Cidade e as Serras, onde morava a Iracema”</em></p>
<p style="text-align:justify;">O sinal tocou.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2855/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2855&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Escrever, amar, resistir</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 12:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez o mais honesto a se fazer neste momento, logo após o título, antes de qualquer conversa, fosse dizer claramente: esta crônica de nada adiantará. Será que vale de algo tentar fixar em um punhado de parágrafos o sentimento que rege a alma, se invariavelmente falho na tentativa? Relendo escritos, uns antigos, outros nem tanto, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2848&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Talvez o mais honesto a se fazer neste momento, logo após o título, antes de qualquer conversa, fosse dizer claramente: esta crônica de nada adiantará. Será que vale de algo tentar fixar em um punhado de parágrafos o sentimento que rege a alma, se invariavelmente falho na tentativa?</p>
<p style="text-align:justify;">Relendo escritos, uns antigos, outros nem tanto, fico pensando se a batalha já não é perdida de saída. Certos sentimentos são feitos de matéria inapreensível pelas palavras. Ainda que eu pudesse escolher as melhores, e organizá-las na forma mais perfeita possível, o resultado seria incapaz de reproduzir o que se passa na solidão de uma saudade como essa. A escrita, para isso, é inútil.</p>
<p style="text-align:justify;">E por que vendemos a vida assim, por uma mesquinharia de notas e uns centímetros de papel (ou nem isso; letras numa aborrecida tela de computador) a reproduzir nosso nome, em silenciosa impostação serifada? Pela aparente saciedade que a vaidade atendida provoca, quem sabe. Somos menos sozinhos, ao menos por algum tempo, quando estamos na linha de frente, acordando as pessoas na porta de casa. Despiste vão, de vida curta, ao qual os olhos se fecham em nome do dia que vem depois do outro e do outro.</p>
<p style="text-align:justify;">Melhor seria ir fazer outra coisa da vida. Levantar edifícios, tocar invenções a duas e a três vozes, empalhar cadeiras. Qualquer coisa que não fosse falar de amor como exilado que sou. Trocaria todos os textos sobre os olhos e os abraços dela pela chance de estar ao seu lado novamente. Essa necessidade de novas formas não na escrita, mas na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">É isso, o amor, que faz de mim um mau escritor. Nada consigo escrever que não seja uma prosinha panfletária cuja única finalidade é sensibilizar determinado (e arredio) coração. Nem sofro com isso, na verdade; há a clareza de que qualquer escrito que não tenha este fim é, neste momento da vida, covarde. A distância da mulher amada acirra as vidas e mortes que carregamos dentro de si. Deve-se enfrentar o peso dos dias, e assim não há espaço para nada que não seja luta. Os sinais que mandamos de dentro das chamas.</p>
<p style="text-align:justify;">Existem aqueles que fazem isso bem, e muito bem, e a eles prestamos nossa reverência mais sincera. Companheiros do silêncio das derrotas, e das ainda mais solitárias vitórias. Em suas páginas já buscamos, e encontramos, a salvação. Mas falta-me essa capacidade de encontrar o universal, de apreender num soneto um olhar ou uma paz. Que lhe deixei, senão um punhado de razoáveis crônicas e péssimos poemas?</p>
<p style="text-align:justify;">Há que se encontrar novos caminhos. Não em frases e parágrafos. Nas ruas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2848/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2848&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Novas bandas e a precisão de navegar</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 05:25:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eram os vestígios do tempo. As calmas que lhe assomavam, o peito quieto, certa forma tranqüila de sorrir. Pra onde? Que sabia ele? Pra onde, simplesmente. Navegaria a favor dos ventos e das marés e aportaria onde fossem dar, que não era homem de contrariar fortuna. O que deixaria pra trás fora uma cama, um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2846&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eram os vestígios do tempo. As calmas que lhe assomavam, o peito quieto, certa forma tranqüila de sorrir. Pra onde? Que sabia ele? Pra onde, simplesmente. Navegaria a favor dos ventos e das marés e aportaria onde fossem dar, que não era homem de contrariar fortuna. O que deixaria pra trás fora uma cama, um candeeiro e meia dúzia de livros? Era que as contingências atiçavam sua natureza de homem do mundo. Por isso partia: para navegar novos mares, desvendar outras paragens, proteger-se do sol sob pórticos que não conhecia. Chegaria, como chegara outrora, forasteiro calado, daqueles de filmes antigos. Depois desbravaria a nova terra: seus sabores, seus aromas, suas mulheres. Mas manteria algum ar de mistério e um pouco da solidão necessária, que estar consigo não era castigo, mas alimento para a alma. Na casa pouco mobiliada faria ele mesmo, no meio da tarde, um café bem forte. Ouviria a chaleira apitar, passaria o líquido pelo coador, esquentaria no fogão mais uma vez o café já feito para não perder a quentura. Serviria em uma chávena e tomaria sentado à beira da mesa de madeira com os cotovelos apoiados e o olhar de quem olha pra trás. Que lhe viriam doendo se não a lonjura de seus afetos e uns amores mal curados? Coçaria a barba de uns dias que passara a lhe incomodar. Então se recomporia, tomaria novamente o prumo e sairia pelas novas bandas a celebrar encontros. Exploraria possibilidades até que um novo chamado viesse a fazê-lo navegar novamente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2846/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2846&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Re: Notícias de NY</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2011 05:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradas]]></category>

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		<description><![CDATA[Elly, Que delicia receber notícias suas. Fico muito feliz que Nova York tenha te cooptado. Não, eu não aderi ao neoliberalismo. (Aliás, na sua ausência, adotei uma boina à la Guevara. Mas não por questões ideológicas, senão estético-financeiras!) É que, embora eu não ignore o umbiguismo way of life de NY, eu gosto desse arejamento, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2841&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Elly,</p>
<p style="text-align:justify;">Que delicia receber notícias suas. Fico muito feliz que Nova York tenha te cooptado.</p>
<p style="text-align:justify;">Não, eu não aderi ao neoliberalismo. (Aliás, na sua ausência, adotei uma boina à la Guevara. Mas não por questões ideológicas, senão estético-financeiras!)</p>
<p style="text-align:justify;">É que, embora eu não ignore o umbiguismo way of life de NY, eu gosto desse arejamento, eu vejo esse cosmopolitismo que os novaiorquinos respiram e que fariam também ao meio-oeste e às regiões mais conservadoras e retrógradas dos EUA.</p>
<p style="text-align:justify;">Daqui, o que tenho a te dizer é que todos andam preocupados com o aumento dos preços. Tudo o que é essencial está proibitivo: os apartamentos, os planos de saúde, o quilo da carne. Mas os supérfluos caem de preço a todo instante e podem ser pagos em oitocentas prestações, desde TVs de LCD até passagens de avião.</p>
<p style="text-align:justify;">O Gonzalo ficou muito chateado desde que o deixaram fora do time. E a Linda não desgruda da boneca nova. Confesso que não tenho muito jeito para cuidar deles e também por isso penso em você a todo instante.</p>
<p style="text-align:justify;">Sua mãe manda lembranças. E a Betty pediu que eu enviasse a você&#8230; “recomendações” (em que século ela vive, for Christ’s sake?).</p>
<p style="text-align:justify;">Todos sentimos muito a sua falta.</p>
<p style="text-align:justify;">Amo você.</p>
<p style="text-align:justify;">Um beijo,</p>
<p style="text-align:justify;">Tom</p>
<p style="text-align:justify;">PS. As fotos são lindas! Me traz um Starbucks? Decaf, please! (não, traz com cafeína que se não eu durmo!)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/miradouro.wordpress.com/2841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/miradouro.wordpress.com/2841/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=miradouro.wordpress.com&amp;blog=5509869&amp;post=2841&amp;subd=miradouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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