Se tenho medo? Não sei dizer. Defina medo. Talvez eu precise de comparações. Seria como pular de um para-quedas? Ou como receber a notícia de uma doença incurável? Bom, nenhuma das experiências eu vivi, logo, não vejo utilidade. Nunca tive medo, então. Ou seria mentira, negação, medo?
Por vezes me canso de tentar encontrar explicações para tudo o que sinto e me frustro só de começar a delineá-las, mas mais cansativo é recorrer às denominações conhecidas, que na grande maioria das vezes não me servem. Não sei se tenho medo, é isso. Pode muito bem ser, só que não é o que eu sinto agora, entendeu? Quero inventar um sentimento, sei lá. Buscar uma sensação escondida, vivendo até agora sem ser notada, ou inclusive fazer uma nascer de mim.
Por que as emoções precisam ter pertencido a um outro alguém antes de esbarrarem nas outras pessoas? Ou seja, um dia, há muitos anos, séculos, um indivíduo decidiu sentir alguma coisa e desde então ela vaga pelo espaço, se infiltrando nos outros. Não acho justo que os sentimentos sejam reciclados assim, é estranho. Eu não sinto da mesma forma que a minha…mãe…e mesmo assim, tem o mesmo nome. Ela é diferente de mim e eu dela, como sou de todos ao meu redor, e quero, portanto, classificar e rotular meus sentimentos do jeito que quiser. Ainda não sei como fazer isso, é verdade, porém, acho difícil que não consiga.
Espero. Bem. Talvez demore, pois as pessoas não entenderão o que estou dizendo na primeira vez. “Estou sentindo x, fulana, é bem ruim, sabe?”.
“Não”, ela responderá.
Paciência. Não desistirei.